UMA COMOVENTE HISTÓRIA DE AMOR

Juli Ane Olivares

peça de teatro, O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá, adaptação e direção de Vladimir Capella, em cartaz no Teatro Imprensa, originou-se do livro escrito pelo autor Jorge Amado para seu filho, em 1948, no seu primeiro aniversário.

Perdido durante 27 anos, o texto foi publicado em 1976 com a exigência de que nada fosse modificado. Dessa maneira, o enredo permanece fiel ao livro, com exceção de algumas passagens, como os hilariantes parênteses do Jorge Amado, em que ele conversa com os leitores.

Um gato rabugento, pobre, mal educado e conseqüentemente sozinho, temido por toda a floresta, vê sua vida mudar ao se apaixonar pela andorinha Sinhá. A jovem andorinha, alegre, espevitada, de família tradicional e querida por todos, também corresponde esse a amor, mas se vê obrigada a enfrentar sua família e seus amigos que rejeitam as diferenças deste relacionamento.

É uma história de amor que declara a todos que a lêem a força e a coragem de viver em busca da realização de um sonho e é através dos animais que residem na floresta que a peça exemplifica de forma brilhante e muito engraçada a sociedade, com todas as suas hipocrisias, controvérsias e pouca tolerância.

Cada
detalhe da peça faz com que ela se torne mais encantadora e emocionante. O figurino, por exemplo, não reproduz a figura dos animais de modo realista, ele dá “pistas” para que as crianças interpretem sua imagem. O cenário muda conforme a passagem do tempo, representando as quatro estações do ano, dentro do bosque. E ao longo de todo o espetáculo os atores interpretam belas canções.

“É a historia que a manhã ouviu do vento e contou ao tempo para ganhar a rosa azul. Assim se inicia o “O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá”, uma peça para crianças e adultos, que apresenta temas sérios e importantes de serem discutidos, de forma delicada e sensível.

O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá
Jorge Amado
Adaptação e Direção: Vladimir Capella
Elenco: Daniel Morozetti, Amanda Acosta e outros
Teatro Imprensa
, São
Paulo, 2006

RESPEITAR É MAIS QUE
SIMPLESMENTE ACEITAR

Jéssica da Cruz Moura Campos

os dias de hoje a sociedade se esforça cada vez mais para conviver com as diferenças. Em pleno século XXI não é nada pertinente se assumir um ser preconceituoso, que são consideradas “elegantes” pessoas de mente aberta e sentimentos nobres. Mas até que ponto esses sentimentos e atitudes são verdadeiros? E de que forma são repassados na educação de nossas crianças?

Nas salas de aula as diferenças de classe, cor e religião são normalmente discutidas e vivenciadas entre as crianças. Elas aprendem que todos somos iguais e merecemos respeito, porém, no dia a dia, vemos outra realidade.

Ainda é preciso ter leis que defendam, por exemplo, os negros de insultos, e realizar uma extensa e cansativa procura para incluir uma criança com qualquer tipo de necessidade especial em uma escola, seja pública ou particular. Assim fica claro que, na prática, as coisas não caminham com tanta facilidade.

Na peça infantil, “O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá”, adaptação de texto escrito por Jorge Amado, as diferenças entre o casal, o gato e a andorinha, incomodam nitidamente todos os personagens da floresta. Todos ali acreditam que cada animal deve se relacionar com os de sua espécie que, por sua vez, têm o seu papel social pré-determinado: o do gato, por exemplo, é ser inimigo das andorinhas, o que impede que os dois tenham qualquer outro tipo de relacionamento.

Pensamentos como os dos personagens dessa bela historia, por incrível que pareça, povoam, sim, a mente das pessoas, fazendo com que, ao invés de cultivar o respeito ao diferente, haja um preconceito velado, de atitudes hipócritas que apenas “aceitam” a convivência com o outro.

É óbvio que esta aceitação já é um começo. Entretanto, pais que educam seus filhos para mascarar esse sentimento de aversão ao que não é igual ou comum, estão contribuindo para a continuação de uma sociedade longe da igualdade. Repetem erros cometidos anteriormente na construção do caráter daqueles que serão cidadãos no futuro e poderão mudar essa realidade.

Para saber mais:

www.dhnet.org.br

JORGE AMADO (1912-2001)

Ruth Macedo dos Santos

orge Amado nasceu em 10 de agosto de 1912, em Itabuna (BA). Escritor desde a adolescência,
estreou na literatura em 1930, com a publicação da novela Lenita.

Bacharelou-se na Faculdade de Direito (1935, RJ), em Ciências Jurídicas e Sociais, mas jamais exerceu a advocacia. Na década de 30, vinculou-se ao partido comunista, tornando-se uma

espécie de porta-voz artístico do partido.

Entre suas principais obras estão: O País do Carnaval (1931), Gabriela Cravo e Canela (1958), Dona Flor e seus Dois Maridos (1966), Tieta do Agreste (1977), O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá (1979), O Menino Grapiúna (1982), A Bola e o Goleiro (1984), entre outros . Suas obras foram publicadas em mais de 52 países e traduzidas para mais de 48 idiomas e dialetos. Teve livros adaptados para televisão, teatro e cinema.

Foi eleito em 6 de abril de 1961, para cadeira 23 da Academia Brasileira de Letras, que pertencia a Otávio Mangabeira.

Jorge Amado é um dos escritores mais famosos do Brasil, principalmente pelas suas temáticas. Suas obras tratam frequentemente de problemas e injustiças sociais, folclore, política, crenças e tradições. Exaltam a sensualidade e a alegria do povo brasileiro, contribuindo assim, para a divulgação de nossa cultura.

Morreu em 06 de agosto de 2001, em Salvador, quatro dias antes de completar 89 anos.  Seu corpo foi cremado e suas cinzas foram espalhadas em torno de uma mangueira em sua residência no Rio Vermelho.

 

Imagens:

http://www.iep.uminho.pt/aac/lic/te/ate03/gm/

http://pmrp.com.br/Ccs/snoticias/ver.php?id=1921

http://www.colegioconsolata.com.br/acontece2005/junho/gatomalhado/index.htm

http://www.vivabrazil. com / pessoas .htm

http://www.aol.com.br/revista/impressao/2005/0005.adp